terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Camões, Luis Vaz de Camões

       Meus contemporâneos, escritores do futuro:

       Eu, Luís Vaz de Camões nasci, ora, não me lembro bem onde mas... oh! sim, deve ser isso, Lisboa! E a data? Por volta de 1524, quase que podia jurar! Estou mesmo esquecido, que embaraço... hoje é dia 10 de Junho de 1580, imagino que no futuro saibam que eu hoje não estou muito bem!
       Bom, esta carta pode ser a última que eu escrevo e, pelo que leio, uma carta bastante diferente das minhas usuais cartas. Vou desabafar o que ando a sentir, como me andam a tratar depois de tudo o que eu fiz. Eu digo-vos, posso, não posso?
       Então foi assim: depois de eu ter estudado Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, oh! que bons tempos!... e depois de ter ido para a Índia, bem, eu sei, eu sei, que a razão porque lá fui não foi exactamente a melhor - uma rixa... Que fui eu fazer? Pronto, mas ainda bem! Acabei por viver em Goa e escrever algumas coisas até que, em 1569, voltei a Portugal, onde escrevi uma obra que ninguém, ou pelo menos, poucos lhe dão valor, peço-vos: leiam-na! "Os Lusíadas" dedicada a D. Sebastião. Depois de "Os Lusíadas", "El- Rei Seleuco", "Auto de Filodemo", "Anfitriões" e "Rimas" estou eu aqui, pobre, doente, esperando a morte sem reconhecimento, sem justiça! Eu, EU, Luís Vaz de Camões, o pobre, o doente? Não! O POETA!
       Espero que vós, gentes do futuro, sejais mais reconhecedores e que a arte não morra pobre e doente, como eu, que pouco mais estarei neste Mundo, neste país que não me apoiou...

Boa arte, sorte, vida e obras, sejam grandes, sejam Portugueses, sejam reconhecidos e reconhecidores,
Luís Vaz de Camões, o Poeta

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